Sapato 43

Associação Cultural para a Construção do Conhecimento pela Arte


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Que Abundância? Que Terra? Que Futuro?

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CasaViva, quinta-feira 14/11/13 às 21:30

Entre utopia e distopia, o Mundo continua perseguindo a Terra Prometida. Genericamente, trata-se de uma terra de Abundância, só que a questão da Abundância tem vindo a sofrer alterações pelo percurso histórico, científico, económico e político da nossa humanidade. Enfim, a Abundância não tem os mesmos contornos, nem a mesma definição, nem é da mesma natureza para todas as pessoas. Assim, na Casa Viva vamos questionar e repensar a «Abundância».

A história é a seguinte: dois mediadores de uma grande empresa de exploração de gás chegam a uma vila, assolada pela crise económica e laboral, para estabelecer contratos com os proprietários das terras para exploração do gás de xisto, aliciando-os com lucros prometedores. A chegada de um activista ambientalista vem dar outro rumo à proposta dos mediadores.

Em Portugal, na miragem de uma espécie de terra de abundância, vislumbrando aquilo que chamam a «independência energética», a prospecção de gás de xisto foi «autorizada pelo Governo na região do Oeste, a realizar pela Empresa Mohave Oil & Gas em acordo com a Galp Energia»[1] Em Fevereiro de 2013, a Direcção Geral de Energia e Geologia concedeu a exploração do gás natural em Portugal até 2021 à Oracle[2]. Entretanto, à semelhança do que tem vindo a acontecer noutros países europeus, a 11/10/13 um projecto de lei aplica uma moratória à exploração de gás de xisto.
Isto deixa-nos com muitas perguntas e dúvidas…Que Abundância? Que Terra? Que Energia? Que Futuro?

Fontes:

[1] http://www.osverdes.pt/pages/posts/projeto-de-lei-nordm—-xii3ordf—aplica-uma-moratoria-a-exploracao-de-gas-de-xisto-5376.php

[2] http://www.oracleenergy.com/s/NewsReleases.asp?ReportID=569536&_Type=News-Releases&_Title=ORACLE-ENERGY-CORP.-ANNOUNCES-AWARD-OF-OIL-AND-GAS-CONCESSION-IN-PORTUGAL

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Palavras ao Alto

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«O banqueiro anarquista» de Fernando Pessoa foi publicado em 1922, na revista Contemporânea, Trata-se de uma narrativa curta de ficção. O texto é frequentemente  considerado como menor e pouco citado, nem costuma aparecer nas obras completas do autor. É uma obra paradoxal por ser simultaneamente lógica e absurda, conformista e subversiva, de uma ingenuidade lúcida ou de uma lucidez ingénua.

Numa conversa de café, um banqueiro explica como é um «verdadeiro» anarquista.

(…)

«- É verdade: disseram-me há dias que você em tempos foi anarquista…

– Fui, não: fui e sou. Não mudei a esse respeito. Sou anarquista.

(…)

«Puxou fumo; fez uma leve pausa; recomeçou.»

«- O mal verdadeiro, o único mal, são as convenções e as ficções sociais, que se sobrepõem às realidades naturais – tudo, desde a família ao dinheiro, desde a religião ao estado. (…)

Uma provocação literária entre ideologia e ficção para as leituras partilhadas na Casa Viva.